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Um destino compartilhado: relações China-África através da diplomacia da saúde (1963-2023)
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Palavras-chave

Diplomacia global da saúde
Health silk road
Covid-19
Relações sino-africanas

Como Citar

MORAES, Renata Patrícia Silva. Um destino compartilhado: relações China-África através da diplomacia da saúde (1963-2023). Seminário Pesquisar China Contemporânea, Campinas, SP, n. 8, p. e024045, 2024. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/11877. Acesso em: 8 fev. 2026.

Resumo

Como a diplomacia da saúde desenvolvida pela China foi praticada no continente africano durante as últimas seis décadas? A primeira missão médica do país asiático ao continente africano ocorreu em 1963, quando enviou equipes de saúde para a Argélia; desde então, a China destinou mais de 20.000 profissionais em cerca de 1.200 missões médicas mais de 50 países africanos, além de parcerias estratégicas, destacando-se a Health Silk Road: lançada em 2017, trata-se de uma ramificação da Belt and Road Initiative - estratégia de desenvolvimento global que visa o desenvolvimento do país em áreas como comércio e indústria através da cooperação e da diplomacia. Essas e outras ações têm atendido a países como Etiópia, Zâmbia, Moçambique, Serra Leoa e Somália, que vêem na China uma fonte de apoio e assistência em momentos críticos. Tal proximidade é reconhecida pelo presidente chinês Xi Jinping em discursos como o de abertura da Cúpula de Beijing 2018 (Fórum de Cooperação China-África - FOCAC, em inglês). Nesse e em outros momentos, aponta-se que ações como Os Dez Planos de Cooperação China-África (lançado em 2015) objetivam o ganho mútuo em cooperações de saúde havendo dentre as motivações a superação dos danos causados por atores internacionais que os atingiram, sendo esse um passado compartilhado. Seguindo tal interpretação, é em momentos críticos como os de epidemias que esse passado se manifesta: ambos foram em suas histórias alvo de preconceitos que apontam China e África como antros de doenças. Se na epidemia de HIV/Aids, iniciada na década de 1980, o continente apontado como algoz do mundo devido a supostas práticas culturais, características ambientais e as más condições de vida de sua população, na de Covid-19, declarada ao final da década de 2010, o povo chinês foi declarado o Homem Doente da Ásia (Sick Man of Asia, em inglês) - expressão usada pelo império britânico durante sua ocupação no país para denotar os costumes e estilo de vida corrompidos que, por consequência, ameaçavam a saúde do mundo. Percebendo esses e outros elementos expressos nos discursos e práticas, essa análise busca apresentar a diplomacia da saúde nas relações entre a China e países do continente africano como parte de uma dinâmica que vem se desenvolvendo desde meados do século XX motivada não apenas por ganhos comumente apontados a estratégias hard e soft powers, mas como algo tido por esses atores como crucial nas suas relações de amizade e que, por sua vez, se torna elemento de dinâmicas compartilhadas na sociedade internacional.

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