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Classe média, meritocracia e corrupção
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Palavras-chave

Classe média
Meritocracia
Corrupção
Brasil
Neoliberalismo

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CAVALCANTE , Sávio. Classe média, meritocracia e corrupção. Crítica Marxista, Campinas, SP, v. 25, n. 46, p. 103–125, 2018. DOI: 10.53000/cma.v25i46.19122. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/cma/article/view/19122. Acesso em: 24 jan. 2026.

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar teoricamente o vínculo material e ideológico da classe média com os movimentos contra a corrupção e pela moralização da política no Brasil contemporâneo. Para a construção do argumento principal, busco mostrar que a meritocracia não deve ser reduzida aos valores mais gerais de esforço e trabalho duro. A ideologia meritocrática diz respeito a uma visão específica de competição entre indivíduos cujo objetivo é justificar moralmente a superioridade das atividades intelectuais e a desigualdade interna do conjunto dos assalariados. Na sequência, sugiro que essa particularidade do discurso meritocrático conduz a classe média a uma visão idealizada tanto da competição entre empresas no mercado quanto da própria relação entre Estado e mercado. Por fim, mostro como a ideologia meritocrática é acentuada em razão das modificações advindas com o neoliberalismo. Essas considerações de ordem teórica contribuem para a compreensão das razões que fazem da classe média a base social mais sujeita à instrumentalização política por parte de grupos baseados no discurso anticorrupção.

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