Resumo
O objetivo do artigo é analisar a austeridade no Brasil contemporâneo, considerando-a como uma dimensão central da questão social, evidenciando suas implicações econômicas e sociais no país. Neste sentido o trabalho apresenta três argumentos centrais: a origem do problema ainda remonta à crise fiscal e financeira do Estado na década de 1980 que teve como origem o financiamento de planos de governo de regimes autoritários; que após o regime autoritário, a discussão da austeridade foi renovada pela soberania dos mercados na era neoliberal, impondo severos limites à consolidação dos compromissos de bem-estar social e redução das desigualdades sociais assumidos na Constituição Federal de 1988; que há alternativas teóricas na heterodoxia econômica contra a austeridade, destacando que tais medidas não têm equilibrado a dívida pública e intensificam a questão social, portanto as escolhas de política econômica, especialmente a fiscal, definirá o projeto de país que se pretende construir.
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