Entre presenças e ausências: interpretação do patrimônio educativo e ressignificação da memória de Maria Aparecida Figueiredo no Memorial Padre Carlos em Poços de Caldas
DOI:
https://doi.org/10.20888/ryjamr69Palavras-chave:
Patrimônio educativo; , Memória coletiva, Interpretação do patrimônioResumo
O presente artigo discute o papel da interpretação do patrimônio educativo a partir do estudo de caso do Memorial Padre Carlos, criado em 2003 junto à Escola Profissional Dom Bosco pela Fundação de Assistência ao Menor de Poços de Caldas, com o objetivo de preservar e divulgar a trajetória de seu fundador e o caminho trilhado pela instituição. Embora concebido como espaço de salvaguarda da memória institucional, o memorial privilegiou inicialmente uma narrativa centrada na figura do sacerdote fundador, secundarizando a participação de Maria Aparecida Figueiredo, cofundadora da obra e personagem fundamental para sua consolidação histórica, educativa e social. A partir das contribuições teóricas da interpretação do patrimônio, da memória coletiva, dos lugares de memória e do patrimônio educativo, busca-se compreender como o estranhamento manifestado pela comunidade escolar desencadeou um processo de revisão interpretativa capaz de ampliar a representatividade da narrativa institucional. Argumenta-se que a reinserção da memória de Maria Aparecida Figueiredo não constitui apenas uma correção histórica, mas um exemplo significativo de democratização da memória e de ressignificação do patrimônio educativo. Conclui-se que os espaços patrimoniais vinculados às instituições educativas devem ser compreendidos como construções sociais dinâmicas, permanentemente abertas à revisão, ao diálogo e à incorporação de sujeitos historicamente invisibilizados na qual a interpretação do patrimônio pode ter um papel fundamental.
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