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Zulmiro de Carvalho e o Sentido Organizador do Mundo
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Palavras-chave

Escultura
Geometria
Abstração
Orgânico
Natureza
Cultura

Métricas

Como Citar

MONTEIRO PEREIRA DA SILVA, António Fernando. Zulmiro de Carvalho e o Sentido Organizador do Mundo. Revista Visuais, Campinas, SP, v. 11, n. 2, p. 130–155, 2025. DOI: 10.20396/visuais.v11i2.20979. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/visuais/article/view/20979. Acesso em: 23 jan. 2026.

Resumo

Este artigo desenvolve uma análise da obra de Zulmiro de Carvalho, articulando a sua origem rural e o impacto da formação britânica na St. Martin’s School of Art, a fim de compreender a lógica interna da sua escultura. Defende-se que o percurso do artista constitui uma transmutação poética da experiência orgânica da natureza em formas geométricas depuradas que funcionam como duplos culturais da terra. Com base na leitura de A Origem da Geometria, de Michel Serres, argumenta-se que a esta, enquanto acto de medir e ordenar o mundo, emerge como chave conceptual para interpretar a obra do escultor. A análise incide sobre a série dos Pórticos, o cenotáfio do Prado do Repouso e o mais recente Pórtico do Rio, evidenciando de que modo a obra convoca corpo, espaço, tempo, luz e vazio como dispositivos de ativação simbólica. Conclui-se que Zulmiro de Carvalho realiza uma obra que, partindo das suas origens rurais, procura organizar o caos, instaurando um universo poético, silencioso e rigoroso.

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