Resumo
Este artigo desenvolve uma análise da obra de Zulmiro de Carvalho, articulando a sua origem rural e o impacto da formação britânica na St. Martin’s School of Art, a fim de compreender a lógica interna da sua escultura. Defende-se que o percurso do artista constitui uma transmutação poética da experiência orgânica da natureza em formas geométricas depuradas que funcionam como duplos culturais da terra. Com base na leitura de A Origem da Geometria, de Michel Serres, argumenta-se que a esta, enquanto acto de medir e ordenar o mundo, emerge como chave conceptual para interpretar a obra do escultor. A análise incide sobre a série dos Pórticos, o cenotáfio do Prado do Repouso e o mais recente Pórtico do Rio, evidenciando de que modo a obra convoca corpo, espaço, tempo, luz e vazio como dispositivos de ativação simbólica. Conclui-se que Zulmiro de Carvalho realiza uma obra que, partindo das suas origens rurais, procura organizar o caos, instaurando um universo poético, silencioso e rigoroso.
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