Resumo
Este trabalho analisa a discussão sobre os direitos da natureza em Selva Jurídica (2014), uma colaboração em pesquisa, livro e instalação entre a artista, escritora e videoensaísta suíça Ursula Biemann, o arquiteto e urbanista brasileiro Paulo Tavares, o Povo Kichwa de Sarayaku e o Povo Shuar de Kupiamais. Selva Jurídica investigou os conflitos socioambientais no Equador, esmiuçando um denso debate ontológico e jurídico sobre os direitos da natureza. A partir do diálogo com o filósofo Michel Serres, Selva Jurídica estimula uma reflexão sobre o caráter
ficcional do sistema jurídico moderno. Ao mesmo tempo, ao articular um cosmos Kichwa, o trabalho oferece novas formas de conceber e praticar a natureza. Neste sentido, o presente trabalho propõe uma reflexão através do pensamento político-ecológico produzido na América Latina (a "Ecologia Política da Diferença" segundo Arturo Escobar) para pensar Selva Jurídica em relação aos conflitos socioambientais vis-á-vis as políticas de diferença
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