Resumo
As pinturas de castas do século XVIII são essenciais para compreender as dinâmicas de mobilidade social na América colonial. Alguns estudiosos interpretam essas obras como uma maneira de categorizar e classificar as mestiçagens, enquanto outros veem nelas uma estratégia para preservar os privilégios dos criollos às vésperas das reformas bourbônicas. Neste sentido, artistas como Luís de Mena retrataram a estratificação social, mas Miguel Cabrera, homem mestiço, ao representar as "castas" subalternas com itens de luxo em espaços comuns da vida cotidiana, contrariou leis da época. Essa abordagem é vista como uma crítica às normas, propondo um novo imaginário sem os estigmas sociais.
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