Resumo
A arquitetura colonial carioca encontra-se amplamente discutida dado o relevo político e econômico daquela que foi a capital brasileira entre 1763 e 1960. Mais do que cartões-postais, tais edificações civis e religiosas responderam a demandas complexas dos governos aos tempos em que foram construídas. Esta comunicação busca sistematizar as obras de arquitetura realizadas por engenheiros militares, compreendendo-as como conjunto que integra as intenções políticas do século XVIII, quando Portugal, rendido aos lucros do ouro brasileiro, desenvolve novo plano político e urbano para a malha carioca, transformada pelas mãos de técnicos e oficiais a mando da coroa. Exemplo disso é José Fernandes Pinto Alpoim, engenheiro militar que chega em 1738 para servir a Gomes Freire de Andrade, governador do Rio de Janeiro entre 1733 e 1763, figura central na consolidação da autoridade régia e na implementação de políticas de defesa, urbanismo e ensino técnico. Multifacetado em seus saberes, Alpoim realizou inúmeras obras que marcaram a cidade. Busca-se apresentar o contexto dessas construções, icônicas do patrimônio carioca, mas ainda pouco conhecidas como conjunto que respondeu às demandas construtivas, econômicas e sociais da colônia brasileira.
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