Resumo
A pintura do mexicano Gerardo Murillo Coronado (1875-1964), popularmente conhecido como Dr. Atl, é mencionada em algumas passagens da obra literária do chileno Roberto Bolaño (1973-2003). Exemplificam-no trechos eloquentes, encontráveis em livros como o romance Los detectives salvajes (1998) e em poemas de La Universidad Desconocida (2007). É importante dizer que essas citações não são um acaso ou uma excentricidade da diegese bolañiana: o pintor em questão ocupa uma posição central dentro da tradição da pintura mexicana. Além de pictoricamente relevante, em si, o destaque de Murillo Coronado na poética de um dos mais importantes escritores latinoamericanos são fatos que apontam, creio, para a necessidade de analisarmos, brevemente, uma
de suas obras. Desta análise surgirá outro problema, de distinta natureza, com que fecharei meu texto, trazendo-o à tona. A ideologia de Gerardo Murillo Coronado – sabidamente um artista nazifílico e antissemita – não é abordada criticamente pela máquina narrativa de Roberto Bolaño, escritor de formação trotskista.
Referências
Coronado, G. Como nace y crece un volcán: El Paricutín. Cidade do México: Stylo, 1950.
Coronado, G. Los judíos sobre América. Cidade do México: La Reacción, 1942.
Bolaño, R. El Tercer Reich. Barcelona: Anagrama, 2010.
Bolaño, R. Estrela distante. São Paulo: Cia. das Letras, 2009.
Bolaño, R. Los detectives salvajes. Buenos Aires: Alfaguara, 2019.
Bolaño, R. Poesía Reunida. Buenos Aires: Alfaguara, 2018.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 Gabriel Morais Medeiros
