Resumo
O trabalho analisa uma proposta de monumento a Tiradentes, apresentada sem êxito pelo escultor Eduardo de Sá à Comissão Executiva do Centenário da Independência, a partir de documentação inédita preservada no Arquivo Nacional. A proposta, centrada na representação simbólica da cabeça decapitada de Tiradentes nos braços da alegoria da Pátria, mobiliza um imaginário místico e simbolista, articulado ao positivismo que orientou a trajetória do artista. Ao examinar a recorrência do tema na obra de Sá e as sucessivas reformulações do projeto ao longo das décadas, o estudo debate a estranheza suscitada pela iconografia no âmbito da monumentalidade pública, as dinâmicas de encomenda e recusa no contexto do Centenário e a relevância historiográfica das obras incriadas para a compreensão da prática da escultura pública no entresséculos XIX e XX.
Referências
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