Abstract
Apropriando-se de imagens difundidas pelos meios de comunicação de massa dos anos 1930/1950 e justapondo-lhes um texto lacônico, a artista norteamericana Barbara Kruger desloca o conteúdo das imagens para uma esfera crítica e constrói composições que questionam, com uma abordagem não moralista, os valores e funções sociais estabelecidos. O presente trabalho centrar-se-á na análise da obra Untitled (We won’t play nature to your culture, 1983) para discutir alguns domínios e critérios sociais elaborados a partir da idéia de uma suposta diferença relacional (superioridade e inferioridade) dos gêneros e suas repercussões nas estruturas sociais como, por exemplo, a subordinação feminina a um espaço privado e doméstico e sua conseqüente exclusão da cultura. Para tanto, será usado como referência o artigo “Is female to male as nature is to culture?” de Sherry B. Ortner, publicado no mesmo período de produção da obra citada, no qual a autora identifica os fatores de ordem biológica, psíquica e fisiológica que associam a figura feminina à natureza e aproximam o masculino da alta cultura, engendrando uma relação de poder e dominância entre os gêneros, uma vez que se entende a cultura como transcendência da natureza. As obras de B. Kruger discutem a atuação da mídia de massas na criação de uma representação estereotipada da mulher e na reafirmação de sua função doméstica. A escolha deste tema, fruto de uma pesquisa de IC, permitirá a análise de questões relevantes para a arte contemporânea, como a característica pública e engajada das obras, o papel da crítica feminista no campo da arte, além de possibilitar uma comparação com o trabalho de artistas que dialogam com o mesmo tema de forma diversificada, como o coletivo Guerrilla Girls, o qual questiona com veemência a exclusão da mulher da alta cultura e da política e Cindy Sherman, que rebate a identidade feminina construída pela estética da mídia.
References
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