Resumo
Este artigo investiga o impacto da redução da jornada legal de trabalho sobre a geração de empregos formais no Brasil, analisando a mudança do limite semanal de 48 para 44 horas introduzida pela Constituição de 1988. A partir de uma estratégia de diferenças em diferenças com tratamento contínuo, aplicada aos microdados da PNAD entre 1981 e 1990, explora-se a heterogeneidade setorial e regional na exposição ao choque regulatório, medida pela parcela de horas trabalhadas em jornadas extensivas antes da mudança legal. Os resultados sugerem que cada aumento de 10 pontos percentuais na exposição prévia a jornadas entre 45 e 60 horas semanais está associado a um crescimento entre 1,2% e 1,3% no nível de emprego setorial após a consolidação do novo padrão de jornadas. Análises dinâmicas e testes placebo corroboram a validade da estratégia empírica. Os achados do estudo corroboram a existência de um mecanismo efetivo de partilha de trabalho (work-sharing) no Brasil associado à Constituição Federal de 1988.
Referências
Callaway, B., Goodman-Bacon, A., & Sant’Anna, P. H. C. (2024). Difference-in-differences with a continuous treatment. [NBER Working Paper, n. 32117]. National Bureau of Economic Research. https://www.nber.org/system/files/working_papers/w32117/w32117.pdf
Calvete, C. da S. (2006). Redução da jornada de trabalho: Uma análise econômica para o Brasil. [Tese, Doutorado em Economia Aplicada], Universidade Estadual de Campinas. https://doi.org/10.47749/T/UNICAMP.2006.371836
Castro, L. B. de. (2011). Esperança, frustração e aprendizado: A história da Nova República (1985–1989). In F. Giambiagi et al. (Orgs.), Economia brasileira contemporânea: 1945–2010 (pp. 97–130). Elsevier.
Cette, G., & Taddei, D. (1993). The economic effects of reducing and reorganizing working time. Futures, 25(6), 561–577. https://doi.org/10.1016/0016-3287(93)90098-E
Dal Rosso, S. (1996). A jornada de trabalho na sociedade: O castigo de Prometeu. LTr.
Estevão, M., & Sá, F. (2008). The 35-hour workweek in France: Straightjacket or welfare improvement? Economic Policy, 23(55), 417–463. https://doi.org/10.1111/j.1468-0327.2008.00208.x
Gonzaga, G., Menezes Filho, N., & Camargo, J. M. (2003). Os efeitos da redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais em 1988. Revista Brasileira de Economia, 57(2), 369–400. https://doi.org/10.1590/S0034-71402003000200003
Hermann, J. (2011). Auge e declínio do modelo de crescimento com endividamento: O II PND e a crise da dívida externa (1974–1984). In F. Giambiagi et al. (Orgs.), Economia brasileira contemporânea: 1945–2010 (pp. 73–96). Elsevier.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (2013). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Microdados da divulgação anual. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (2016). Séries históricas e estatísticas. https://seriesestatisticas.ibge.gov.br/
Kawaguchi, D., Naito, H., & Yokoyama, I. (2017). Assessing the effects of reducing standard hours: Regression discontinuity evidence from Japan. Journal of the Japanese and International Economies, 43, 59–76. https://doi.org/10.1016/j.jjie.2016.12.002
Krein, J. D. (2013). As relações de trabalho na era do neoliberalismo no Brasil. LTr.
Martins, S. P. (2005). Direito do trabalho (21a ed.). Atlas.
Messenger, J. (Ed.). (2018). Working time and the future of work. International Labour Organization.
Skuterud, M. (2007). Identifying the potential of work-sharing as a job-creation strategy. Journal of Labor Economics, 25(2), 265–287. https://doi.org/10.1086/511805
Taddei, D. (1998). Reduction in working time: A literature review. European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions.
Zwickl, K., Disslbacher, F., & Stagl, S. (2016). Work-sharing for a sustainable economy. Ecological Economics, 121, 246–253. https://doi.org/10.1016/j.ecolecon.2015.11.009

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Vicente Loeblein Heinen
