Um museu no liceu: da abertura do curso comercial à formação do Museu Comercial do Liceu de Artes, Ofícios e Comércio (São Paulo, 1924)
DOI:
https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20817Palavras-chave:
Educação Salesiana , Ensino Técnico-Profissional., Museu ComercialResumo
Inserido no contexto da industrialização e modernização da cidade, os cursos Comerciais do Lyceu de Artes, Officios e Commércio surgiram em 1895 para atender à demanda por profissionais qualificados no comércio e na administração. Sua proposta pedagógica diferenciava-se pela valorização da prática, integrando vivências concretas por meio de oficinas, exposições e, sobretudo, do Museu Comercial, criado em 1924. Inspirado pelas feiras universais e exposições industriais, o museu funcionava como espaço pedagógico inovador, reunindo coleções didáticas, amostras de produtos, minerais, tecidos e materiais diversos, articulados a uma linguagem expositiva moderna. A iniciativa do diretor Pe. Luiz Marcigaglia buscou envolver alunos, famílias e a comunidade, configurando o museu como uma espécie de “cartografia industrial” que refletia o progresso paulista. O referido artigo também contextualiza a ação educativa dos padres salesianos desde Dom Bosco, que, no século XIX, propôs uma formação integrando ensino técnico, valores morais e inserção no trabalho. No Brasil, o Liceu consolidou essa proposta, participando de exposições nacionais e internacionais, nas quais obteve reconhecimento e prêmios. O Museu Comercial, posteriormente expandido e transformado em Museu de História Natural, passou por diversas reformas e modernizações, tornando-se um espaço central de apoio pedagógico. Suas coleções, formadas de modo colaborativo, expressavam não apenas valores científicos e educativos, mas também a identidade institucional. Assim, o artigo evidencia o papel do museu como ferramenta formativa e inovadora no ensino comercial e técnico-profissional do período.
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