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Arquivo, arte & arquitetura: memorial aos judeus assassinados da Europa
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Palavras-chave

Memorial
Arte
Arquivo
Arquitetura

Como Citar

LUCENA , Francisco Palmeira de. Arquivo, arte & arquitetura: memorial aos judeus assassinados da Europa. Encontro de História da Arte, Campinas, SP, n. 4, p. 373–387, 2008. DOI: 10.20396/eha.4.2008.3851. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/eventos/index.php/eha/article/view/3851. Acesso em: 5 fev. 2026.

Resumo

Desde 1989, com o “círculo de incentivo”, idealizado e presidido pela jornalista alemã Lea Rosh para a construção do “Memorial aos Judeus Assassinados da Europa”, o debate político, moral, ético e estético não cessou. Após três anos de sua inauguração, o memorial é agora a materialização no espaço urbano berlinense, como um diagrama, de parte de toda discussão. Questões relativas à pertinência da construção do memorial, os seus obstáculos políticos de aprovação, as discussões em torno das versões do projeto do arquiteto Peter Eisenman e os motivos da saída do artista Richard Serra do projeto, não parecem agregar consistência a um discurso que se pretende analítico à posterioridade da construção. A hipótese que é lançada aqui, de um deslocamento da idéia de monumento operada por Eisenman, demanda a partir da obra do “Memorial aos Judeus Assassinados da Europa”, uma problematização teórica focada no arquivo, na arte e na arquitetura. Isto nos aproxima tanto de questões éticas e políticas quanto artísticas e arquitetônicas. A memória neste contexto é própria da herança heterogênea imposta pelo Holocausto, que tanto dá quanto exige uma ação crítica e uma escolha. Neste sentido o discurso sobre ética e arquivo, na desconstrução de Derrida, pode ajudar no entendimento das estratégias de deslocamento projetual de Eisenman. Na abordagem do problema do mal do arquivo, isto é, da ânsia de memória face à supressão do tempo e à velocidade da repetição da informação, temos que estar atentos tanto a pressupostos classificatórios e ontológicos, que dizem respeito ao “lugar” do arquivo, quanto a pressupostos nomológicos, que são de ordem ética e política. Estes deslocamentos, no caso da arte, aparecem aqui em diálogos com Marcel Duchamp ou Robert Smithson. Em ambos, a poética é marcada por essa noção de deslocamento, em Duchamp, no próprio procedimento do readymade: o jogo, o xadrez [...] e em Smithson, no problema da escala, da dialética entrópica, da ficção e das poéticas da transitoriedade. Este trabalho procura, assim, debater conceitos de legitimação e expansão da disciplina arquitetônica enquanto prática e teoria estabelecendo uma discussão em dois pares de deslocamentos principais: ética & arquivo e arte & arquitetura.

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