Resumo
A arte contemporânea, tanto a brasileira quanto a internacional, se encontra, em sua maioria, intimamente relacionada à vida, à realidade comum. Sua aplicação ou mesmo existência no mundo é dada através de sua abertura para a realidade cotidiana, onde o espaço da galeria se torna, muitas vezes, insuficiente. Instalações, performances, happenings e outras formas de manifestações artísticas, criam, então, uma temporalidade produzida pelo encontro entre arte, espectador-participante e espaço, tornado-se a obra as ações simultâneas proporcionadas pela duração desse mesmo encontro. Deste modo, dicotomias e hierarquias desaparecem para dar lugar ao acaso e a indeterminação, uma vez que a obra de arte nunca volta a ser exatamente aquilo que já fora antes. Para tanto, buscaremos na Música de mobiliário (c. 1920), de Erik Satie e em Mirrored Cubes (1965), de Robert Morris, alcançar o entendimento desse constante processo de abertura, como também analisaremos as tensões provocadas nos artistas que de alguma forma compartilharam deste mesmo pensamento – como em John Cage, Richard Serra, entre outros.
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Copyright (c) 2008 Ana Marcela França de Oliveira