Resumo
O objetivo desse trabalho é traçar um paralelo entre a idéia de aventura no discurso de Georg Simmel, na Berlim moderna da virada do século XIX para o século XX, e a obra de Piero della Francesca, no quattrocento italiano. Autor de diversos textos, sobre os mais variados assuntos, leitor de Nietszche e Marx, tem uma visão crítica da vida cultural do ocidente moderno. Vê os sujeitos cada vez mais reduzidos a especialidades, ao amesquinhamento de suas subjetividades e para tanto, não como um ideal de salvação, porque não vê saída para esse mundo reificado pela expansão do capital, ele propõe pequenas utopias, algumas alternativas para se tentar agir nesse mundo. A aventura é um dos temas dos quais ele lança mão a fim de desenvolver a reflexão sobre esses fragmentos de experiência, essas pequenas utopias de bolso. Pretendo fazer um pendant entre a aventura de Simmel, e o caráter aventureiro do colorista genial Piero della Francesca, redescoberto criticamente por Cézanne e Seurat, e como consequência, fundamental para a arte moderna.
Referências
LONGHI, Roberto. Piero della Francesca. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
SIMMEL, Georg. Philosophie de la modernité. L´aventure. Éditions Payot, 1989.
VERDET, André. Entretiens notes et écrits sur la peinture. Paris: Éditions Galilée, 1978.
WAIZBORT, Leopold. As aventuras de Georg Simmel. São Paulo: Editora 34, 2006.

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