Resumo
Talvez o maior desafio para a sobrevivência da arte num futuro imediato seja como poderemos continuar proporcionando experiências poéticas, profundas. Para muitos artistas, a partir dos anos 1960, o descompasso entre a brutal aceleração dos fluxos contemporâneos e o tempo necessário à reflexão veio gerando tensões que ultrapassaram as questões museológicas, levando-os a criarem suas obras a partir de um espaço expositivo. Naquelas da Fundação Chinati, os artistas dessa geração conceberam-nas como instalações permanentes e em larga escala, supondo como um aspecto crítico fundamental à compreensão dessas obras mesmas a liberação das condições históricas de apresentação consolidadas no modelo do Museu. Com deslocamentos desta ordem, as Fundações de artistas vêm ganhando atenção como um modelo alternativo aos discursos das grandes instituições, até hoje fortemente atrelados ao poder econômico das grandes metrópoles. Identificamos os debates dessa geração com o recente projeto de Álvaro Siza para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. O arquiteto transformou a necessidade objetiva de controlar o fluxo de visitação numa experiência fenomenológica: criou percursos que delicadamente nos conduzem: variações de ângulos, velocidades, luminosidades, ambientes.... Ora estamos voltados para o átrio, problematizando os planos das paredes nas suas múltiplas combinações, ora estamos num dos “túneis” que envolvem o prédio, onde o espectador silenciosamente pode amadurecer o que já foi visto no andar anterior e, enfim, ser levado a um universo particular. Álvaro Siza concebeu um promenade existencial, compartilhando com Richard Serra, Donald Judd e outros grandes pensadores a construção do espaço como um fator proporcionador de experiência vital.
Referências
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Copyright (c) 2008 Paloma Oliveira de Carvalho Santos