Abstract
Apesar da crítica comumente apontar em Chassériau um “pintor de mulher” e embora haja alguns estudos pontuais, por exemplo, tratando os adereços portados pelas mulheres ou mesmo uma guinada psicanalítica, um estudo sistemático focando este tema ainda é lacunar. Para este artigo, nos debruçaremos sobre a questão separando a obra do artista por grandes temas recorrentes: a) o retrato: o pintor foi um retratista que, em alguns aspectos, agradou a crítica de sua época, sendo comparado ao seu mestre Ingres, como em Retrato da Mademoiselle Cabarrus de 1848 ou Retrato das senhoritas C. ou As duas irmãs. b) a literatura: em diversos momentos Chassériau apresenta figuras oriundas da literatura, notadamente as investidas em água-forte para a peça de Shakespeare, Otelo ou as diversas obras inspiradas na mitologia. Entretanto, quando falamos literatura, incluímos também o cenário das letras e das ciências de seu tempo, como O tepidarium de 1853, realizado a partir de artigos produzidos pela descoberta das ruínas de Pompéia. c) a alegoria: as figuras alegóricas femininas de maior expressão do artista estão concentradas no que foi a pintura na Cour de Comptes de 1844-1848, alvo do incêndio da famigerada Comuna de 1871. d) o oriente: muitos estudiosos no início da carreira de Chassériau procuraram encontrar traços geográficos para explicar o gosto oriental, ou seja, tal gosto se daria pelo fato do artista ter nascido em São Domingos. Porém a produção de figuras femininas orientais começa, sobretudo após sua viagem à Argélia em 1846.
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