Resumo
A pesquisa desenvolveu-se no âmbito temático da missão jesuítica no Japão entre os séculos XVI e XVII, no campo da História Cultural. A perspectiva metodológica consistiu a do encontro cultural, isto é, no de dois universos simbólicos distintos que entre si mediam, em busca do entendimento e redução da alteridade. Procurou-se compreender como a experiência no Japão foi traduzida e codificada pelos missionários e, utilizando os indícios presentes na documentação, entender a percepção dos japoneses para com a presença dos missionários, refletindo sobre de que modo isto se relacionou com o resultado de rejeição final do projeto jesuítico no arquipélago.
A missão jesuítica no arquipélago japonês, durante os séculos XVI e XVII, foi analisada por meio da obra “História de Japam” (1583-1597) de Luiz Fróis. Os missionários jesuítas chegaram ao Japão em 1549 e estabeleceram um dos primeiros contatos documentados entre o arquipélago japonês e o continente europeu. Neste processo histórico destacam-se três datas: 1580, na qual os padres assumiram o controle do porto de Nagasaki; 1587 com primeiro edito proibindo o cristianismo por Toyotomi Hideyoshi e 1614, com o segundo edito de proibição do cristianismo por Tokugawa Ieyasu, que desencadeou a perseguição de facto contra cristãos e missionários. O objetivo do trabalho consistiu em observar a dimensão cultural e simbólica do projeto jesuíta e entender os processos de mediação cultural realizados entre eles e os japoneses.

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Copyright (c) 2018 Ana Maria S. Ribeiro de Almeida, Rui Luis Rodrigues