Resumo
Ao longo da pesquisa, foi desenvolvido um levantamento das profissões e ocupações femininas em vigência na segunda metade do século XIX, na região do oeste paulista. O estudo foi realizado a partir do Registro de Matrícula de Enfermos do Hospital de Misericórdia da Santa Casa de Campinas. Foram analisados, aproximadamente, dois mil e trezentos registros de pessoas que deram entrada no hospital entre 1876 e 1882, enfocando os dados referentes à população de mulheres livres e libertas. Informações a partir das quais pude inferir aspectos da vida de mulheres negras não escravizadas presentes na localidade de Campinas. A listagem das informações e cruzamentos com outros dados contidos na fonte, possibilitou observar a configuração da distribuição dessas trabalhadoras no mercado de trabalho livre no período apontado. Esse esforço viabilizou a obtenção de um quadro da composição racial desse universo de trabalho, sob o qual pode-se perceber possíveis relações entre a distribuição de mulheres negras e brancas nas ocupações com os processos de racialização vigentes naquela sociedade e no momento em que a urbanização da região impactava a organização do trabalho urbano, o crescimento do setor de serviços e a expansão das políticas sanitaristas.
Referências
ALBUQUERQUE, W.O Jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão : ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
CHALHOUB, Sidney. Cidade Febril : cortiços e epidemias na corte imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
FARIAS, Sheila Siqueira de Castro. Sinhás Pretas, damas mercadoras : as pretas minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João Del Rei. Tese (Concurso para professora titular em História). Universidade Federal Fluminense, 2004.

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