Resumo
O objetivo desta pesquisa é o estudo do entrudo e do carnaval em Campinas em finais do século XIX (1871 - 1900), com enfoque na análise das dimensões conflituosas que emergem na cidade no contexto do fim da escravidão. Dessa maneira, são investigadas as transformações das referências de autoridade nos carnavais de Campinas, destacando as medidas coercitivas adotadas pelas elites e a experiência de sociabilidade das camadas livres, pobres e negras nos festejos carnavalescos. Nesse sentido, o fio condutor do projeto é constituído pelas seguintes questões: Quais ferramentas foram utilizadas pelo Estado para reprimir as movimentações culturais?; Como ocorreu o processo de preservação de privilégios sociais, políticos e culturais, a partir de critérios raciais?; E, por último, como os sujeitos históricos se posicionaram dentro deste quadro? Para responder estas perguntas, dividimos nossa metodologia em 3 etapas: Análise quantitativa, análise qualitativa e cruzamento de documentos, interpretando assim criticamente as fontes, a discussão historiográfica e a escrita histórica e os transformando-os em resultados empíricos. Um dos principais resultados esperados ao longo da iniciação científica foi investigar a nossa hipótese central, que está amparada na defesa de que Campinas promoveu uma grande repressão às práticas culturais das camadas pobres, negras e libertas, tensionadas pelo crescente processo de modernização e racialização das relações sociais no contexto do Brasil “abolição”.
Referências
ALBUQUERQRE, Wlamyra. O jogo da dissimulação: Abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
CUNHA, Maria Clementina. Carnavais e outras frestas. Campinas: Editora Unicamp, 2002; NORA, Pierre. Entre memória e História: a problemática dos lugares, Projeto História, São Paulo, V.10, p. 7-28, 1983.

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