Abstract
Ao final da ditadura civil-militar brasileira, ergueram-se no Brasil diversos movimentos reivindicando melhorias e reformas no sistema de saúde brasileiro. Na saúde mental, o Movimento da Luta Antimanicomial pautou o fechamento dos manicômios e o tratamento dos doentes na comunidade. As primeiras experiências do novo modelo foram levadas a cabo em São Paulo e em Santos, dois modelos diferentes que contribuíram para o modelo atual. Após décadas da Reforma Psiquiátrica Brasileira, hoje o sistema de saúde mental encontra inúmeras dificuldades em sua estruturação e na efetivação dos princípios da Reforma. Cerca de um quarto dos pacientes usuários de UBS’s fazem uso de psicofármacos, e muitos fazem uso prolongado dos medicamentos, ainda que estudos mostrem a baixa eficácia dessa abordagem. Isso mostra uma mudança no paradigma do tratamento em saúde mental: antes, os doentes eram enclausurados, hoje permanecem presos aos medicamentos. Neste estudo, buscamos entender como se deu a mudança do paradigma da assistência à saúde mental no Brasil e o papel da medicalização no novo modelo, para então analisar os limites da Reforma Psiquiátrica Brasileira.

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Copyright (c) 2019 Victor Gomes Moretti, Rosana Teresa Onocko Campos