Abstract
O texto enfoca ideias sobre origens e pessoa, com base em colaborações entre uma antropóloga afro-brasileira, parte de um terreiro de candomblé no Brasil, e Mapuche que vivem na Patagônia, principalmente no lado argentino da Cordilheira dos Andes. Usando a narração de encontros entre humanos e mais-que-humanos como abordagem metodológica, considero o potencial desses relatos etnográficos para pensar sobre ideias de corpo-território (como um aspecto fundamental das origens de uma pessoa). O artigo demonstra que a conexão entre família e território está no centro das noções Mapuche de origem, a extensão da ideia de ser originário afro-brasileiros e como alianças afro-indígenas têm sido construídas, indicando o potencial do trabalho etnográfico para mapeá-las.
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