Resumen
Opará — río-mar — es el nombre dado por los pueblos Tupi-Guarany al río que, desde 1501, pasó a llamarse São Francisco. Desde hace más de dos mil millones de años, este viejo río hiende la tierra, transforma paisajes y moldea vidas y relaciones. Vientos, erosiones, sequías y crecidas, sedimentos, especies diversas, seres más-que-humanos y pueblos originarios componen su existencia continua, marcada por flujos lénticos, sin grandes rupturas ni aprisionamientos.
Este trabajo propone narrar el río a partir de mis propias experiencias, memorias, prácticas y vínculos, en lo que denomino “antropología ribereña”. Más allá de los marcos conceptuales occidentales y canónicos, asumo como metodología el encuentro con los sueños, con saberes inscritos en el cuerpo y con una escritura nacida del buceo, la natación, la pesca y el canotaje.
Esta escritura también emerge de los diálogos y consejos tejidos en las relaciones con entidades, orixás, cantos, ritos e incorporaciones, como iniciado en la Umbanda. Se trata de afirmar la vida del río y en el río sin someterla a las continuas apropiaciones coloniales y de rechazar una antropología que participe en la domesticación violenta de los mundos y de los conocimientos.
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