Resumen
En este artículo abordamos la construcción del “paradigma de Estácio”, referente a la línea de tiempo orientadora del samba, realizado por Carlos Sandroni (2012), teniendo como fuente diecisiete melodías grabadas por Francisco Alves a finales de los años 1920 e inicios de los 30. Como buscamos sostener, el paradigma descrito por Sandroni posee algunos puntos bastante discutibles –a pesar de su gran importancia en relación con el tema de la línea orientadora del samba–, desde la muestra utilizada y la escritura occidental para la notación de las diferentes líneas de tiempo, hasta el enfoque evolutivo lineal en el establecimiento de las etapas constitutivas de lo que el autor denominó como “paradigma de Estácio”. En este caso, traemos a la discusión una muestra pequeña, poco contemplada por la industria fonográfica, pero particularmente significativa de sambas de partido-alto, cuya práctica está asociada a las rodas de samba en ambientes informales y en las propias escuelas de samba. Creemos que, a pesar de ser pequeña, esta adición de repertorio valora las rodas de samba como un espacio de mantenimiento y eventual transformación de aspectos sonoros que permean el género. El artículo está dividido en tres partes: en la primera, exponemos el ciclo rítmico (o línea de tiempo) a partir de autores que lo notaron en su trabajo de campo; en la segunda, buscamos problematizar las posibles derivaciones de la caracterización gráfica del ciclo rítmico del samba urbano; y, finalmente, en la tercera y mayor parte, cuestionamos el “paradigma de Estácio”Referencias
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