Resumen
Basándonos en los presupuestos teóricos y metodológicos del Análisis del Discurso materialista, este artículo analiza el libro Puta História (2024), de Fátima Medeiros, entendiéndolo como una putagrafía (Ribeiro, 2020) en formato de novela autobiográfica que pone en discurso una memoria producida en los márgenes y a pesar del estigma. Partiendo de la noción de lugar de enunciación (Zoppi-Fontana, 2002), investigamos los mecanismos discursivos mediante los cuales la autora, activista histórica en la categoría, proyecta distintos conjuntos de formaciones imaginarias y efectos de lectura, dirigiéndose tanto a otras trabajadoras sexuales como a un público externo. Articulando el concepto de putagrafías (Ribeiro, 2020), entendido como “un nuevo lugar para enunciar sobre la prostitución en el que su voz, a través de la escritura, puede resonar y hacer eco” (Ribeiro, 2020, p. 17), mostramos cómo la jocosidad en la obra de Medeiros opera como una refracción de la experiencia (Lopes, 2023b), deconstruyendo y reconfigurando escenas vividas con clientes a través de la escritura. Un análisis demuestra que una obra funciona como un gesto de subjetivación y una intervención estética y política que transforma la vida marginalizada en narrativa literaria, permitiendo a la autora singularizar su trayectoria y disputar representaciones. Además, mostramos cómo la escritura autobiográfica actúa como autocuidado y una práctica de libertad (Parteka, 2016), creando condiciones simbólicas para la realización del trabajo de duelo intersubjetivo (Dunker, 2023). Concluimos que es un trabajo que promueve una auto-representación positiva de las trabajadoras sexuales, se constituye como un artefacto de memoria cultural y opera como un dispositivo de resonancia y resignificación, transformando una narrativa personal en un poderoso acto de disputa simbólica y política.
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