Resumo
O Brasil se tornou protagonista nas negociações relacionadas à emergência climática e ambiental. Todavia, o país apresenta diversos conflitos envolvendo as novas e velhas formas de geração de energia, mostrando que o processo de transição para uma economia de baixo carbono enfrenta uma série de problemas e obstáculos sociais, econômicos e políticos. A partir do caso do município de Candiota (RS), considerado a “capital nacional do carvão”, este artigo busca evidenciar um contexto e um aspecto ainda pouco explorados nos debates promovidos pelo movimento sindical sobre a transição energética, conectando os desafios locais aos desafios globais e confrontando a agenda da sustentabilidade ambiental com a necessidade de desenvolvimento socioeconômico e geração de emprego e renda. A pesquisa é alicerçada no levantamento bibliográfico e de notícias e documentos, e na realização de entrevistas com trabalhadores e lideranças sindicais locais. Ficam evidentes os motivos que dificultam uma adesão efetiva do movimento sindical à agenda da transição energética.
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