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Conversas bovinas: criação, tecnologia e política
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Palavras-chave

Relações humano-animal
Bovinos
Criação de animais
Pecuária bovina
Tecnologia
Política
Antropologia

Metrica

Como Citar

MACHADO, Carlos Eduardo; LEAL, Natacha Simei. Conversas bovinas: criação, tecnologia e política. RURIS (Campinas, Online), Campinas, SP, v. 17, n. 00, p. e025008, 2026. DOI: 10.53000/rr.v17i00.22081. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/ruris/article/view/22081. Acesso em: 15 ago. 2026.

Resumo

Este texto apresenta o dossiê “Conversas bovinas: criação, tecnologia e política”, que propõe explorar, por meio de diferentes perspectivas etnográficas e teóricas, as relações entre humanos e bovinos no Brasil. Colocar em evidência as "conversas bovinas" - termo cunhado do conto de Guimarães Rosa - é um exercício analítico para acompanhar práticas de criação, economia, política, tecnologia e produção de saberes, mas também uma forma de situar a crescente importância da pecuária bovina na antropologia contemporânea, sem desconsiderar sua presença histórica no pensamento social brasileiro, e o fato de que o Brasil deve ser compreendido como um centro da moderna indústria global da carne. Reunidos em duas sessões, os artigos abordam contextos indígenas, quilombolas, camponeses, vaqueiros, rodeios, mercados futuros, cadeias frigoríficas, dispositivos sociotécnicos, raças bovinas, produção de queijos e pecuária leiteira. Em conjunto, mostram que bois, vacas e touros não se reduzem a mercadorias, recursos produtivos ou elementos de paisagens rurais, mas participam da constituição de formas de valor, conhecimentos, afetos, memórias, territorialidades, regimes de propriedade e disputas políticas. Ao mesmo tempo, integram circuitos de acumulação, cálculo, classificação, exploração e violência.  O dossiê propõe, assim, pensar menos uma tradução transparente da fala animal do que uma atenção aos efeitos da presença bovina e às relações pelas quais humanos e não humanos produzem, disputam e imaginam mundos. A expressão “mais gado do que gente” sintetiza essa centralidade e mostra como bovinos participam da fabricação cotidiana do país, de suas desigualdades e possibilidades.

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