Resumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre as experiências de mulheres negras em contextos acadêmicos e culturais distintos – Comunidade quilombola baiana no Brasil e Camarões (África Central) –, analisando como as trajetórias de resistência, cultura e educação se entrelaçam e fortalecem a construção de identidades políticas e acadêmicas. A partir de relatos de vida e trajetórias acadêmicas das autoras, ambas mulheres negras em espaços de luta e pertencimento, discutiremos como a educação pública e as raízes culturais moldam a resiliência e as perspectivas das pesquisas dessas mulheres, que são voltadas para ancestralidade: identidade, cultura quilombola, oralidade e sincretismo religioso. Este texto dialoga com a perspectiva da escrevivência de Evaristo (2020), situando experiências pessoais como parte de um processo político e coletivo de resistência ao racismo e ao sexismo em contextos históricos e sociais diversos.
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