Resumo
O objetivo deste trabalho é analisar como o mito da democracia racial atua como um mecanismo ideológico essencial para a reprodução e ocultação do racismo no capitalismo dependente brasileiro. Para isso, o estudo se concentra na análise do sistema de representações raciais brasileiro à luz da crítica da ideologia e da sociologia radical de Clóvis Moura. A pesquisa examina a construção e a funcionalidade do mito da democracia racial — fundado no conceito freyreano de "equilíbrio de antagonismos" — como um instrumento que oculta a exploração do trabalho e as hierarquias raciais. Demonstra-se como essa representação ideológica se materializa em práticas concretas de exclusão, nomeadas por Moura como "sistema de barragens", que perpetuam a marginalização e a superexploração da população negra. Concluímos que o racismo no Brasil é uma engrenagem vital no modo de produção capitalista e que, ao dividir a classe trabalhadora e manter uma reserva de mão de obra barata, a representação racial é um mecanismo necessário para a reprodução do capitalismo dependente e para a gestão das taxas de lucro da burguesia nacional e transnacional.
Referências
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