Resumo
Este artigo tem como objetivo refletir sobre o conceito de contramonumento a partir do pensamento de Clóvis Moura. Por meio da mobilização de algumas de suas produções teóricas, busca-se compreender como sua leitura sobre a resistência negra e a disputa simbólica contribui para repensar a presença da memória negra no espaço público. A análise concentra-se especialmente na escultura dedicada à Mãe Preta, localizada na cidade de São Paulo, examinando as tensões e reinterpretações em torno de seus sentidos. A discussão se mostra particularmente relevante no contexto atual, em que o chamado “Efeito George Floyd” instaurou um divisor de águas no debate sobre homenagens públicas, provocando revisões críticas de monumentos e a emergência de contramonumentos. A partir disso, o artigo se orienta por duas perguntas principais: de que modo as lutas do passado podem iluminar as lutas do presente? e como o pensamento de Moura nos ajuda a construir um conceito de contramonumento enraizado nas práticas históricas de resistência negra?
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