Resumen
Este trabajo pretende reactivar un gesto que llevó a una mujer indígena a aparecer por primera vez en artículos de periódicos y revistas. La portada de la revista Manchete del 11 de marzo de 1989 mostraba a Tuíra Kayapó con un machete en mano, anunciando "los indios van a la guerra". En el imaginario colectivo, poco llena lo que precede y lo que viene después de esta escena. Permanece la imagen de la mujer indígena con su machete frente a un no indígena. Como nos inspira a pensar Silvia Cusicanqui: “las imágenes son la forma alegórica de entender una sociedad de silencios y verdades a medias” (2016). Reactivar imágenes, así como gestos y prácticas a menudo consideradas erróneas e irracionales, como sugiere Stengers (2017), se vuelve urgente. La imagen, como "intercesora", tal como la utilizan Gonçalves y Scott Head en el sentido dado por Deleuze, nos invita a pensar en los efectos producidos en los demás en su devenir-imaginario. Tuíre, cubierta y revelada por el gesto del machete, se entiende como un agente de transformación del nombre del proyecto y también de su postergación. El machete como barrera, un gesto que se convierte en barrera, en interrupción. Es una barrera que se convierte en machete, como un arma que impide la vida y asfixia los sueños. Belo Monte se pospone pero no se impide, el gesto barrera del machete no puede sostenerse en el Capitaloceno. Y Tuíre continúa con gestos, transformaciones y giros de posibilidades del mundo, como el proyecto de casa de costura realizado en su pueblo con fondos de compensación de Belo Monte.Referencias
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