Resumo
Encontrei-me com Coraly Zahonero, atriz, societária da Comédie Française, num dia chuvoso do outono de Paris. Coraly escreveu, dirigiu e interpretou em 2016 um espetáculo sobre a Grisélidis Réal. Por conta da chuva aconchegante, que não nos dava vontade de sair à rua, ficamos conversando por mais de duas horas em seu camarim de 20 metros quadrados, mobiliado com charme e provido de praticamente tudo: uma cama, dois sofás, mesa, penteadeira, e serviço de chá e café. Os atores da Comédie française passam os dias em seus camarins trabalhando em seus personagens e descansando entre os ensaios. À noite interpretam em um dos três teatros da instituição, e o camarim de Coraly fica na sede principal, a Salle Richelieu, fundada em 1680 no coração do Palais-Royal, no 1º arrondissement de Paris. A longa conversa me vale agora um trabalho dobrado para ouvir e editar a entrevista em meio aos nossos também longos parênteses e digressões: somos amigas há mais de 30 anos, ela é madrinha de minha filha e eu madrinha da dela. Participei de perto do processo de criação do espetáculo sobre Grisélidis Réal, cujo cartaz podia observar acima de sua cabeça, na parede central do camarim. Coraly ali poderia ser mesmo confundida com Grisélidis, difícil saber num primeiro momento, tamanha a semelhança física e seu admirável trabalho de composição: os olhos negros delineados à la Barbara, seu cabelos longos, a franja, os brincos enormes.
Referências
HENNING, Jean-Luc. Grisélidis Réal Forever. La Semaine de Jean-Luc Henning. Entrevista concedida ao jornal Libération. Paris, 15 de outubro 2011.
ZAHONERO, Coraly. Grisélidis Réal (peça de teatro). Tradução inédita de Tânia da Costa. Paris: Comedie Française, 2016.

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