Resumo
Falar, escrever, externalizar emoções e/ou experiências são ações indispensáveis a processos de cura. Este texto apresenta relatos de algumas de minhas vivências, sobretudo, as relacionadas à minha identidade negra-mulher, com a qual sigo os cursos nos percursos das águas em busca de caminhos para me inserir em espaços sociais como o acadêmico e o profissional. Narro também situações que vivi enquanto atravessava a pandemia de COVID-19. Enseja-se evidenciar dificuldades de um corpo negro feminino em ingressar e permanecer na academia com pesquisas disruptivas negro-centradas. Constata-se que não é fácil lutar contra sistemas opressores atravessando um isolamento social, distante da família. Porém, com a ajuda adequada, recorrendo à ancestralidade e renovando a fé, é possível singrar e seguir movendo o corpo – essa tecnologia negra ancestral – por um caminho em direção ao autoconhecimento, às águas internas.
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