Resumo
Trago, neste texto, dois momentos vividos pelos meus pais, durante a infância, nas décadas de 1960 e 1970, que evidenciam situações de racismo, silenciamento, discriminação, tolerância e, subserviência. Para tornar estas situações perceptíveis, é necessário se aprofundar nos relatos apresentados, dialogando com as autoras trabalhadas disciplina: “Escrevivência: sujeitos, lugares e modos de enunciação”. São elas: Preta Rara (2019), Eliana A. Cruz (2022), Conceição Evaristo (2020); e autores que auxiliam nos conceitos como: corpo, racismo são eles: Gomes (2017), hooks (2022), Kilomba (2019), elas teorizam as experiências que me ajudaram a rever histórias de família e entender como refletiam a realidade de muitas pessoas negras da época. Nos dois relatos apresento histórias que envolvem mulheres em trabalho doméstico,- minha mãe e minha avó - em circunstâncias distintas, trazem realidades comuns à situação do “servir”. Esse diálogo permite perceber como as situações relatadas compõem a forma de pensar dos meus pais atualmente, mesmo quando se tem uma apreensão mais complexa sobre o(s) racismo(s) no cotidiano. Já na fala do meu pai, apresento a percepção branda do racismo vivido e como este camufla dores e feridas que foram, e seguem sendo silenciadas, amortecendo sentimentos.
Referências
ABREU, Angélica Kely de. O Trabalho doméstico remunerado: um espaço racializado. In: PINHEIRO, Luana Simões; TOKARSKI, Carolina Pereira; POSTHUMA, Anne Caroline (Orgs.). Entre relações de cuidado e vivências de vulnerabilidade: dilemas e desafios para o trabalho doméstico e de cuidados remunerado no Brasil. Brasília: IPEA, OIT, 2021. P. 47-66.
CRUZ, Eliana Alves. Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
EVARISTO, Conceição. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (Orgs). Escrevivência: a escrita de nós – Reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. São Paulo; Rio de Janeiro: Itaú Social; Mina, 2020. P. 26-46.
EVARISTO, Conceição. Dos sorrisos, dos silêncios e das falas. In: SCHNEIDER, Liane; MACHADO, Charliton (Orgs.). Mulheres no Brasil, resistência, lutas e conquistas. João Pessoa: Ed. Universitária da UFPB, 2009. P. 1-10.
GOMES, Nilma Lino. O Movimento Negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.
HOOKS, bell. Escrever além da raça: teoria e prática. São Paulo: Elefante, 2022.
JESUS, Carolina Maria de. O diário de Bitita. São Paulo: Ed. Sesi SP, 2014.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação - Episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Ed. Cobogó, 2019.
NOGUEIRA, Isildinha B. A cor do inconsciente: significações do corpo negro. São Paulo: Perspectiva, 2021.
RARA, Preta. Eu, empregada doméstica: a senzala moderna é o quartinho da empregada. São Paulo: Ed. Letramento, 2019.

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