Resumo
O presente artigo busca contribuir para as discussões teóricas a respeito da filosofia política e social de Maurizio Lazzarato. A partir de uma revisão bibliográfica, com foco nos escritos mais recentes do autor italiano publicados no Brasil, procurei compreender as conexões que ele estabelece entre capitalismo e colonialismo, sobretudo no que se refere à questão da guerra. Responsável por uma obra intelectual em transformação contínua, (auto)crítica, atualmente Lazzarato tem reavaliado as suas influências marxistas e foucaultianas, em particular acerca da dominação colonial e escravagista, bem como das suas reverberações racistas no mundo contemporâneo, fundamentais para a própria sobrevivência do capital. Amparado em outras fontes epistemológicas, tomando o capitalismo enquanto multiplicidade de modos de produção e destruição, que engloba ontologicamente a subjugação extrema de corpos racializados e cuja história se caracteriza por inúmeros conflitos e massacres, Lazzarato amplia e diversifica as perspectivas sobre a violência intolerável do sistema capitalista, expandida pela hegemonia global do neoliberalismo, e acentua a urgência de alternativas teórico-políticas revolucionárias.
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