Resumo
O presente artigo investiga como o advento dos ambientes digitais, ou “ciberespaços”, impacta as formas de percepção, uso e produção de espaços arquitetônicos e urbanos na contemporaneidade. Através de pesquisa bibliográfica, que articula fontes acadêmicas (Augé, Han, Lévy, Montaner etc.), jornalísticas (Della Torre, Oliveira, Zanatta etc.) e ficcionais (Gibson), o texto constrói uma contextualização da evolução dos espaços digitais e das diferentes formas de interação com estes, a partir da qual se sustenta o argumento da “hibridização”: ideia de que, no período contemporâneo, a vivência de espaços físicos é indissociável e simultânea à experiência de “ciberespaços” (websites, redes sociais, plataformas digitais, Metaverso etc.), o que impõe uma novíssima e disruptiva noção de espaço, sobretudo no que se refere às relações entre corpos e suas percepções de dimensões físicas e não-físicas. O texto ainda apresenta considerações sobre o papel das grandes empresas de tecnologia, denominadas big tech, na construção-consolidação-difusão do arcabouço técnico, tecnológico, econômico e social que viabiliza a abrangente presença dos ambientes digitais na vida cotidiana e nos espaços arquitetônicos e urbanos, imprimindo nestes, por consequência, seus interesses corporativos. O artigo contribui para debates atuais relevantes, como a transformação das formas de percepção do espaço e do tempo a partir de ambientes digitais, a influência das novas tecnologias nas formas de produção e uso de espaços arquitetônicos e urbanos, e o papel das grandes corporações tecnológicas e seus interesses econômicos nas dinâmicas de hibridismo entre espaços físicos e digitais.
Referências
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