Resumo
Este artigo investiga a intersecção entre o racismo tecnológico e os desafios da gestão de rejeitos na reciclagem no Brasil, com ênfase na "munha de vidro" como resíduo invisibilizado e subalternizado. Parte-se de uma abordagem contra colonial para evidenciar como tecnologias e processos produtivos, sob uma lógica colonial e capitalista, reforçam desigualdades históricas, especialmente em relação às populações negras e periféricas. A partir das contribuições de Nego Bispo, Arturo Escobar, Ruha Benjamin (2019), e das experiências de mulheres negras nas tecnologias, bem como da análise das práticas de catadoras e catadores de materiais recicláveis, propõe-se uma engenharia contra decolonial ancorada nos saberes ancestrais, na participação comunitária e na Economia da Funcionalidade e Cooperação (EFC). Conclui-se que a transformação dos sistemas tecnológicos e produtivos só será possível mediante a valorização da coletividade, da autonomia popular e da inovação social.
Referências
Benjamin, R. (2019). Raça e tecnologia: Como a desigualdade social molda o mundo digital. Polity Press.
Benjamin, R. (2019). Race after technology: Abolitionist tools for the new Jim Code. Polity Press.
Bispo, N. (2021). Colonialismo, território e saberes: Insurreições epistemológicas. Bazar do Tempo.
Bispo, N. (2021). Colonização do Kalunga: Uma crítica à modernidade e à colonialidade. Autêntica.
Dagnino, R. (2010). Tecnologia social: Ferramenta para construir outra sociedade. In Rede de Tecnologia Social (Org.), Tecnologia social: Uma estratégia para o desenvolvimento (pp. 15–35). Fundação Banco do Brasil.
Du Tertre, C. (2019). Économie de la fonctionnalité et développement durable. L’Harmattan.
Escobar, A. (2014). Sentipensar com a terra: Novas ecologias para a era do Antropoceno. Elefante.
Escobar, A. (2014). Sentipensar com a terra: Novas leituras sobre desenvolvimento, território e diferença. Ediciones Unaula.
Forbes Brasil. (2024). Adriana Barbosa e Feira Preta: A revolução da tecnologia criada por uma mulher negra brasileira. Forbes Brasil. Recuperado em 8 de julho de 2025, de https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/10/adriana-barbosa-feira-preta-a-revolucao-da-tecnologia-criada-por-uma-mulher-negra-brasileira/
IAM.org.br. (n.d.). Mulheres negras nas tecnologias. Recuperado em 8 de julho de 2025, de https://iam.org.br
IAM.org.br. (n.d.). Mulheres negras que fizeram história no Brasil. Recuperado em 8 de julho de 2025, de https://www.iam.org.br/mulheres-negras-que-fizeram-historia-no-brasil/
Mulgan, G., Tucker, S., Ali, R., & Sanders, B. (2007). Social innovation: What it is, why it matters and how it can be accelerated. Skoll Centre for Social Entrepreneurship.
Noble, S. U. (2018). Algorithms of oppression: How search engines reinforce racism. NYU Press.
Paranhos, M. C. M. (2023). Inovação social e propriedade intelectual: Proteção dos saberes tradicionais em comunidades quilombolas [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Inovação Tecnológica].
UPY.io. (n.d.). Empreendedorismo e inovação negra. Recuperado em 8 de julho de 2025, de https://www.upy.io
UPY.io. (n.d.). Mulheres na tecnologia: Quais foram as contribuições femininas? Recuperado em 8 de julho de 2025, de https://upy.io/blog-do-emprego/mulheres-na-tecnologia
Silva, P. S. R. S. da, et al. (2019). Economia da funcionalidade e da cooperação: Da produção de alimentos ao bem-estar alimentar. In Anais do 12º Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto. Universidade de Brasília.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Revista Internacional de Extensão da UNICAMP
