Resumo
Este ensaio especulativo propõe uma rearticulação do conceito biológico de totipotência vegetal a partir do campo da nanoarte, buscando compreender como a criação do/com o vivo pode ser pensada em suas materialidades. Em diálogo inspirado em Deleuze e Guattari, ao compreender a criação como produção de diferença, com a simpoiese em Haraway, que evidencia a emergência como relacional, e com Tim Ingold, ao pensar a formação como correspondência, a problematização concentra-se nas práticas de nanoarte que operam por intervenção ou visualização técnica da matéria em escala ínfima. Argumenta-se que, nesses contextos, a criação não se reduz à representação, mas envolve processos de emergência em que forma, matéria e técnica se co-determinam. Aqui, a totipotência é compreendida como uma lógica relacional de atualização de virtualidades, que se torna sensível na nanoarte ao evidenciar que o mínimo contém potências de diferenciação do vivo. Por fim, o texto aponta desdobramentos dessa perspectiva para pensar a formação como processo aberto, situado e em relação, em que criar e aprender se implicam mutuamente. Assim, percorrem-se obras de nanoarte, nas quais o gesto artístico se afirma como prática de co-criação e de formação-com, entrelaçando o biológico, o filosófico e o tecnológico. Nesse movimento, a totipotência é tecida como matéria de (trans)formação – potência insurgente que faz da vida e da educação um mesmo gesto de criação, de onde germinam futuros, coexistências e mundos possíveis.
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