Abstract
This paper aims to present the practices of care and identity affirmation, developed in conjunction with the Coletiva Mulheres da Quebrada, in an intersectional dialogue with community social psychology and black feminism. This theoretical and methodological commitment is based on the recognition of the epistemological and methodological limitations of psychology, which gains potential when articulated with different knowledge and worldviews. We call for the blackening of psychology through the Afro-centered epistemic resumption, making it possible to construct emancipatory notions of subject and society. We present a set of practices carried out by ColetivA, which are based on the affirmation of society projects with a view to social transformation, the protection of life and a reorientation of care. To qualify the discussion, some analyzes produced from the scenes experienced in group psychosocial intervention meetings that took place between 2022 and 2023 will be presented, with women who frequent the ColetivA space. The scenes are presented based on the areas of activity in which ColetivA is structured (mental health, social assistance, sociocultural and self-care meetings). The path taken so far has made it possible to give new meaning to the identity of black women by highlighting their protagonism and calling on them to share responsibility for care. We can see how the promotion of mental health has brought symbolic and psychosocial benefits, through the affirmation of a self-concept, the construction of critical thinking and the mirroring of a collective identity.
References
ADRIÃO, Karla Galvão; FINE, Michelle. Feminismo, psicologia e justiça social: um encontro possível? Uma entrevista com Michelle Fine. Psicologia & Sociedade, v. 27, n. 3, p. 479-486, 2015.
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen Produção Editorial, 2019.
ANZALDÚA, Gloria. Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo. Revista Estudos Feministas, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000.
ASSUMPÇÃO, Raiane (Org.). Educação Popular na perspectiva freiriana. São Paulo: Acervo Paulo Freire, 2009. Disponível em: https://acervo.paulofreire.org/handle/7891/88. Acesso em: 08/setembro/2025.
BAIRROS, Luiza. Nossos feminismos revisitados. In: VAREJÃO, Ana et al. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. São Paulo: Bazar do Tempo, 2020. P. 19-32.
BATISTA, Luís Eduardo; BARROS, Sônia. Enfrentando o racismo nos serviços de saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 33, n. Supl. 1, e00090516, 2017.
BATISTA, Luís Eduardo; MONTEIRO, Rosana Batista; MEDEIROS, Rogério Araujo. Iniquidades raciais e saúde: o ciclo da política de saúde da população negra. Saúde em Debate, v. 37, n. 97, p. 681-690, 2013.
BENTO, Maria Aparecida da Silva. Pactos narcísicos no racismo: branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público. 2002. Tese (Doutorado em Psicologia Social) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
BORGES, Larissa Amorim. Nas periferias do gênero: transitando entre hip hop, funk e feminismos. 2013. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013.
CAMILO, Claudia; KAHHALEB, Edna; FERREIRA, Maria Luísa; SCHVEITZERD, Mariana. Cuidado em território de exclusão social: covid-19 expõe marcas coloniais. Saúde e Sociedade, v. 30, n. 2, e210023, 2021.
CARNEIRO, Aparecida Sueli; FISCHMANN, Roseli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Revista Psicologia USP v. 16, n. 3, p. 111-131, 2005.
COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.
DIAS, Luciana de Oliveira. Reflexos no Abebé de Oxum: por uma narrativa mítica insubmissa e uma pedagogia transgressora. Articulando e Construindo Saberes, v. 5, p. 1-15, 2020.
GOES, Emanuelle Freitas; NASCIMENTO, Enilda Rosendo do. Mulheres negras e brancas e os níveis de acesso aos serviços preventivos de saúde: uma análise sobre as desigualdades. Saúde em Debate, v. 37, n. 98, p. 571-579, 2013.
GONZAGA, Paula Rita Bacellar. A gente é muito maior, a gente é um corpo coletivo: produções de si e de mundo a partir da ancestralidade, afetividade e intelectualidade de mulheres negras lésbicas e bissexuais. Tese (Doutorado em Psicologia) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.
GONZAGA, Paula Rita Bacellar. Interseccionalidade: uma contribuição do feminismo negro para a construção de práticas e conhecimentos antirracistas em Psicologia. In: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA; COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DO CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (org.). Psicologia brasileira na luta antirracista: volume 1. Brasília, DF: CFP, 2022. p. 49-62. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2022/11/VOLUME-1-luta-antirracista-1801-web.pdf. Acesso em: 08/setembro/2025.
GONZAGA, Paula Rita Bacellar. Psicologia Feminista e Antirracista: Uma Experiência de Extensão Universitária Junto à Coletiva Mulheres da Quebrada. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 16, Edição Especial, p. 1-13, 2023.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. São Paulo: Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2020.
HOOKS, bell. Erguer a Voz: pensar como feminista, pensar como negra. São Paulo: Elefante, 2019.
HOOKS, bell. Irmãs do inhame: mulheres negras e auto recuperação. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2023.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1963.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2020.
LORDE, Audre. A transformação do silêncio em linguagem e ação. In: LORDE, Audre. Irmã outsider. São Paulo: [s. n.], 2019. P. 51-55.
LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 935-952, 2014.
MAYORGA, Claudia. Algumas contribuições do feminismo à psicologia social comunitária. Athenea Digital, v. 14, n. 1, p. 221-236, 2014.
MULHERES DA QUEBRADA. Ser mulher, ser território próprio [vídeo]. Produção e direção: Mulheres da Quebrada. [S. l.]: Mulheres da Quebrada, 2021. 1 vídeo (44min 15s). Publicado pelo canal Mulheres da Quebrada. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=eNK6uYio9Og. Acesso em: 08/setembro/2025.
NUÑEZ, Geni. Descolonização do pensamento psicológico. In: PLURAL. Plural: valorização profissional em tempos de 'novas' práticas em Psicologia. [S. l.: s. n.], 2019. P. 6-11.
NÚÑEZ, Geni. Efeitos do binarismo colonial na Psicologia: reflexões para uma Psicologia anticolonial. In: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Psicologia brasileira na luta antirracista. Brasília: CFP, 2022. v. 1, p. 32-45.
OLIVEIRA, Érika Cecília Soares; RODRIGUES, Luciana; BATTISTELLI, Bruna Moraes; CRUZ, Lilian Rodrigues da. Raça e política de assistência social: produção de conhecimento em psicologia social. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 39, n. spe2, e225556, 2019.
OLIVEIRA, Luciana da Silva; ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. Juventude, Vulnerabilidades e Políticas Públicas. Perspectivas em Políticas Públicas, v. 5, n. 9, p. 152-163, 2012.
PARODI SVARTMAN, Bernardo; GALEÃO-SILVA, Luís Guilherme. Comunidade e resistência à humilhação social: desafios para a psicologia social comunitária. Revista Colombiana de Psicología, v. 25, n. 2, p. 331-349, 2016.
PIEDADE, Vilma. Dororidade. São Paulo: Nós, 2017.
PINHO, Paloma de Sousa; ARAÚJO, Tânia Maria de. Associação entre sobrecarga doméstica e transtornos mentais comuns em mulheres. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 15, n. 3, p. 560-572, 2012.
PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
SANTOS, Abrahão de Oliveira. Epistemologias Negras: novas propostas para o ensino, a pesquisa e a extensão em Psicologia. In: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Psicologia brasileira na luta antirracista. Brasília: CFP, 2022. v. 1, p. 46-57.
SANTOS, Abrahão de Oliveira. O Enegrecimento da Psicologia: Indicações para a Formação Profissional. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 39, n. spe, e222113, 2019.
SANTOS, Abrahão de Oliveira; OLIVEIRA, Luíza Rodrigues de. A metodologia do espelho de oxum na psicologia. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 16, Edição Especial, p. 1-13, 2023.
SCHUCMAN, Lia Vainer. Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana. Tese (Doutorado em Psicologia Social) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
SILVA, Juliana Marcia Santos; CARDOSO, Vanessa Clemente; ABREU, KAMILA EULÁLIO; SILVA, LÍVIA SOUZA. A feminização do cuidado e a sobrecarga da mulher-mãe na pandemia. Revista Feminismos, v. 8, n. 3, p. 15-28, 2020.
SOLATERRAR, Ueslei Carneiro da Silva et al. Sobre AFROntar a Casa-Grande e botar a cara no sol: uma etnografia transviada de formas de gestão de sofrimento. Revista TransVersos, v. 3, n. 3, p. 101-118, 2020.
TAVARES, Jeane Saskya Campos; KURATANI, Sayuri Miranda de Andrade. Manejo clínico das repercussões do racismo entre mulheres que se “tornaram negras”. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 39, e184764, 2019.
WERNECK, Jurema. Nossos passos vêm de longe! Movimentos de mulheres negras e estratégias políticas contra o sexismo e o racismo. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 1, n. 1, p. 07-17, 2010.
WERNECK, Jurema. Racismo institucional e saúde da população negra. Saúde e Sociedade, v. 25, n. 3, p. 535-549, 2016.

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 Karla de Paula Carvalho, Paula Rita Bacellar Gonzaga
