“Herdar” como proposta metodológica em situações difíceis: reconstruir os ecofeminismos
Sinopsis
O que significa herdar teorias (e práticas) em um campo minado de controvér-sias? Um estudo bibliográfico, de orientação antropológica, sobre as relações entre os feminismos e as teorias ambientais é o cenário onde essa pergunta metodológica se desenha. Partindo das ecofeministas da década de 1970 e chegando aos feminismos em meio ao colapso climático do século XXI, persi-go a questão das relações entre feminino e natureza e suas transformações ao longo de décadas de debates feministas, filosóficos, antropológicos e ecoló-gicos. Essa trajetória é sinuosa na medida em que é caracterizada por discor-dâncias, inimizades e perspectivas disciplinares muitas vezes incompatíveis, mas que podem dar lugar a alianças temporárias e estratégicas em torno de imaginar modos de resistir e produzir formas de habitar um planeta ferido. Herdar foi o verbo que orientou essa jornada de pesquisa porque implica fazer uma genealogia, mas de modo a reconstituir histórias tomando fios empres-tados e costurando-os a outros fios, em um jogo delicado que exige posiciona-mento da pesquisadora e, ao mesmo tempo, distância para dar o devido lugar aos contextos de onde emergem palavras e proposições.
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