Resumo
No âmbito da recepção da filosofia grega na Roma do século I a. C., destacam-se as obras de dois autores: Lucrécio e Cícero. Acreditando que o estudo dos temas comuns que ocorrem nos textos dos referidos autores pode contribuir para uma compreensão mais profunda da recepção da filosofia nesse contexto histórico particular, em que ambos parecem preocupados com encontrar um lugar para a filosofia na cultura romana, investigamos o modo como cada um deles discute a questão do uso do latim no tratamento de matéria filosófica. Estudamos, então, por um lado, o motivo da egestas da língua latina em Lucrécio, tentando mostrar de que modo o poeta o mobiliza em favor da construção da figura do magister como alguém fortemente comprometido com a comunicação da doutrina que expõe. Abordamos, por outro lado, a defesa da riqueza do latim em Cícero (causa frequente nas obras do autor, a qual o autor diz encampar contra a opinião de muitos), dando destaque para as reflexões do autor a respeito da tradução, relacionadas, ademais, ao projeto educacional que defende.
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