Resumo
A partir da obra Semeando sereias (1987-1998), do artista brasileiro Tunga, este artigo propõe uma abordagem visual com base na ideia de sobrevivência das imagens, ancorada em historiadores da arte como Aby Warburg e Georges Didi-Huberman. Uma obra de arte pode abrigar memórias, histórias, permanências e outras produções artísticas. Nesse sentido, refletir sobre o surgimento de imagens semelhantes com formas, modelos e gestos que sobrevivem e se conectam, é também dialogar com as práticas culturais humanas – espaço de produção de subjetividades, imaginários e significados.
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