Resumo
Este artigo analisa a trajetória da obra A Rendição de Uruguaiana, de Pedro Américo, desde seu esboço até a destruição física e sobrevivência pelas gravuras de tradução. A partir da articulação entre história da arte, cultura visual e política do século XIX, mostra-se como a imagem, após perder o suporte original, foi preservada, reinterpretada e difundida por litografias na imprensa da Corte do Rio de Janeiro. Longe de mera cópia, a gravura atuou como dispositivo de memória e legitimação imperial, evidenciando seu papel ativo na permanência e transformação das imagens históricas no Brasil oitocentista.
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