Resumo
Propomos o estudo e a tradução de dois símiles iliádicos que equiparam homens a animais esfomeados em combate pela sobrevivência (Il. 3, v. 15-29; 17, v. 650-667) e uma tradução-análise de trecho do Canto 19, quando Aquiles se dispõe a retornar para o campo de batalha sem alimento e Odisseu exorta o herói e Agamêmnon a alimentarem os guerreiros antes do combate. Aquiles, de jejum, recorda o preparo do alimento por Pátroclo e lamenta ter abandonado o pai e o filho ao partir para a guerra. Zeus se comove, levando Atena a destilar ambrosia sobre o Pelida para nutri-lo antes do retorno ao combate. Fome e voracidade são o pano de fundo para veicular uma nova abordagem de tradução dos poemas. Trata-se de uma estratégia que contempla o farto vocabulário português disponível. Segundo pensamos, isso nos parece apropriado para os poemas homéricos, habitualmente traduzidos nos limites de um repertório lexical padrão, áulico e elitizado.
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