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A sobrevivência da imagem de Antínoo: o culto clássico, a imprensa oitocentista e a construção do corpo nacional no Brasil
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Palavras-chave

Antiguidade
História da Arte
Imagem sobrevivente
Século XIX

Metrica

Como Citar

SANTOS, João Pedro Brunetti dos; CAMPOS, Daniela Queiroz. A sobrevivência da imagem de Antínoo: o culto clássico, a imprensa oitocentista e a construção do corpo nacional no Brasil. Revista de História da Arte e da Cultura, Campinas, SP, v. 7, p. e026008, 2026. DOI: 10.20396/rhac.v7i00.21695. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/rhac/article/view/21695. Acesso em: 21 set. 2026.

Dados de financiamento

Resumo

O presente trabalho analisa a trajetória da imagem de Antínoo, do Egito Romano ao Brasil contemporâneo, a partir do conceito de sobrevivência e da noção de anacronismo de Georges Didi-Huberman. O artigo organiza-se em três eixos fundamentais: primeiramente, examina-se a plasticidade teológica de seu culto na Antiguidade, onde a associação a divindades como Osíris e Dioniso permitiu uma vasta circulação iconográfica. Em um segundo momento, discute-se sua recepção no Brasil do século XIX como ideal de beleza neoclássica na Academia Imperial de Belas Artes e sua persistência como "imagem mental" nos periódicos oitocentistas, operando como régua estética e moral na imprensa. Por fim, analisa-se a instrumentalização de Antínoo pelo projeto eugênico da Primeira República, exemplificado pela obra de Fernando de Azevedo e pela revista Educação Physica. Nesse estágio, a imagem do efebo foi "depurada" de sua carga homoerótica e convertida em modelo de virilidade e saúde racial para a nação, chegando ao paradoxo de ser confundida iconograficamente com o Hermes de Belvedere. Conclui-se que Antínoo sobrevive como uma imagem dialética que, ao ser sucessivamente reconfigurada, revela como o passado atua na construção das sensibilidades e discursos do presente.

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